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sexta-feira, fevereiro 14, 2003

O Máximo - Gentem, como diria Manny, tô bege! O Ratapulgo, do Copy-Paste, blog que se dedica a selecionar os textos mais interessantes de blogs, copiou e colou um texto daqui!! Não é o máximo?! Eu, Ticinha, no I-Reality Xou!! Tô insuportável.
Quanto aos boatos de que eu, a exemplo do Henrique, ando mandando presentinhos pro Ratapulgo, tenho a declarar que: A INVEJA É UMA MERDA, tá?
Agora falando sério: visitem o Copy-Paste. É muito legal. Dá até pra votar no melhor texto. Tem um sobre o Lula, (Presidente), de morrer de rir. Perfeito.
Comentários - Que fim levaram os meus comentários do Blogextra?? Coloquei outro sistema de emergência, provisório. Vamos ver se eu descubro o que houve com os outros. Shit happens.

quinta-feira, fevereiro 13, 2003


A ilógica do impassível
Me faz companhia.
Enquanto a vida passa na retina
E do céu desabam
Impossibilidades e hipocrisia,
Minha boca se ocupa dos gerânios
E dos meus olhos se ocupa o tigre
Tentando imprimir-lhes
O tom cinza dos enganos.

Não se trata de impermeabilidade
Ao impossível do mundo lógico.
Trata-se pura e cinicamente
De indisposição para reter
O que não interessa
Aos meus absurdos propósitos:
Ficar viva;
Alimentar os gerânios;
Acariciar o tigre com os cílios;
Proteger a cabeça das impossibilidades;
Manter um nível suportável de apatia.

(PAF/2003)

É um daqueles dias em que eu tenho vontade de pedir para o mundo parar e eu descer. Tô precisando de férias urgentes de mim mesma. Passar um tempo no corpo de outra pessoa, de vida mais banal e apática, aquela coisa casa-trabalho-casa-jornal nacional, aquela vida que todo mundo que tem quase morre de tédio e sonha em ser espião, pular de pára-quedas, virar a mesa, mas nunca tem coragem e segue passando margarina no pão light, sabe? Pois é. Queria aquilo. Uns 6 meses. Depois iria adorar ser eu de novo. Eu estou precisando descansar um pouquinho, só um pouquinho. Eu sei que meu desejo para o ano novo sempre foi muitos frios na barriga. Achei que agüentaria o tranco 24h por dia, 7 dias por semana e ia tirar de letra. Mas cansa. Ô, se cansa! Mas verdade seja dita: entre a vida margarina no pão light definitiva e a samba do crioulo doido, fico aqui, abraçada no crioulo. Um dia a coisa acalma. Ou não.

quarta-feira, fevereiro 12, 2003


Copyright © 2001-2003 Gilberto Simon All rights reserved

Mais Mercado Público - é lindo, né?

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Mercado Público de Porto Alegre

Banca 40 - Sou o que se pode chamar de portoalegrense tardia, porém legítima. Nasci aqui, mas me tornei pelotense por força das circunstâncias. Só readiquiri minha "naturalidade" portoalegrense há 7 anos e me apaixonei pela cidade, perdidamente. Dentre os fatores que me levaram a este estado especial de alma está a Banca 40 do Mercado Público. Quem já provou o caldo de frutas (que é um sub-produto da salada de frutas), a salada de fruta com sorvete ou nata, a Bomba (taça de sorvete e frutas) ou comeu morango com nata (na verdade nata com morango) sabe do que eu estou falando. Mas o que eu acho o maior barato na Banca 40 e em todas, ou quase todas, bancas do Mercado, é o clima de 1950. Eles embrulham as compras em papel pardo e amarram com barbante em forma de cruz. Isso não tem preço.
Hoje minha admiração pelo pessoal da Banca 40 cresceu ainda mais. Como não tenho tido tempo de almoçar, descobri que eles tem um sanduíche com pão de linho, requeijão light e chester que é uma delícia e tenho passado por lá (fiz isso três vezes contando a de hoje) pra comprar. Hoje um senhor que trabalha lá há milênios, ao me atender, perguntou se era o de sempre. Eu, pasma/incrédula, respondi que sim e ele sabia direitinho o que era. Das duas uma: ou só eu como o tal sanduíche, ou o velhinho conserva o bom atendimento da época em que Porto Alegre era uma cidade menor e mais cortês (o que eu acho mais provável) e ao atender uma pessoa, cultiva o hábito - em extinção - de olhar pra ela. Adorei.

Este é o Lucas. Fofo, né?

Lucas, Célia e Luiz - A Rossana do Wumanity, contou há duas semanas no blog dela o caso de uma família em precárias condições de vida . Ela decidiu ajudar e a ela foram se juntando várias pessoas, a ponto da situação já ter melhorado muito. Uma dessas pessoas doou uma tela para ser leiloada e os recursos serem destinados a esta família. Pra quem quiser colaborar, vai o link do site que está organizando o Leilão. Pra quem quiser saber mais da história e ajudar de outro jeito, clique aqui ou no endereço abaixo do link, que é o blog da história do Lucas.

terça-feira, fevereiro 11, 2003

Mosaico - Às vezes vem essa coisa de querer tudo e não querer nada, de precisar traçar a meta que seja definitiva e única, pra ter em que se concentrar e parar de oscilar de objetivos e de humor. Pode ser a carreira, ou o estudo, ou achar (esquecer) alguém, mas também sei que nada disso funciona. Ali, depois da próxima esquina, vou entender pela milésima vez que eu sou composta de vários pedaços e que cada um deles quer tomar uma direção diferente e ir atrás do que lhe cabe. Então vou ficar sendo arrastada pra um lado e outro, conforme a força preponderante momentânea de algum pedaço.

Mas que merda! Será que não dá pra bater tudo no liquidificador e depois fazer um outro eu homogêneo?

Não, não dá. Melhor. Ser um grande mosaico de cacos de coisas distintas tem lá seu valor. Como o que? Não vem ao caso. Hoje o pedaço predominante não tá “afins” de entrar em detalhes.

segunda-feira, fevereiro 10, 2003

Minha primeira Porto Alegre foi a da Av. Borges de Medeiros e seu viaduto. Antes teve a Botafogo esquina Praia de Belas, mas eu era bebê e não lembro de nada. Meu avô paterno tinha um bar entre a Fernando Machado e a Washington Luiz. Morávamos em Pelotas e fomos visitá-los. Ali respirei os ares da capital e não consegui dormir por causa do excessivo barulho noturno - o apartamento era em cima do bar, num prédio que está lá até hoje. Lembro pouco, tinha uns 4 anos, mas o cheiro da Borges, o cinza do viaduto, a grandiosidade dos arcos e a imponência das estátuas que me faziam ainda menor na comparação com a cidade tão grande, não esqueci jamais. Lembro do medo de me perder. Muitos anos mais tarde já casada, passando por lá, senti o mesmo cheiro, a mesma sensação de desproteção e medo. Voltei 20 anos no tempo. É um dos lugares mais portoalegrenses de Porto Alegre.



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O Viaduto da Borges.
Oração dos estressados

Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar,
a coragem para mudar as coisas que não posso aceitar,
e a sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas
que eu tive que matar por estarem me enchendo o saco.
Também me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje,
pois eles podem estar conectados aos sacos que terei que puxar amanhã.
Ajude-me, sempre, a dar 100% no meu trabalho...
12% na segunda-feira,
23% na terça-feira,
40% na quarta-feira,
20% na quinta-feira,
5% na sexta-feira.
E... Ajude-me sempre a lembrar,
quando estiver tendo um dia realmente ruim
e todos parecerem estar me enchendo o saco,
que são necessários 42 músculos para socar alguém
e apenas 4 para estender meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar...
Que assim seja!!!


(Luís Fernando Veríssimo)


O texto é atribuído ao LFV, mas sabe como são essas coisas que circulam pela internet, né? Mesmo assim eu gostei tanto que resolvi por aqui.
Da série Ditos Pelotenses -

"Tirar": Em Pelotas a gente não "cursa" nem "faz" faculdade ou curso nenhum. Lá, pelo menos para os mais velhos, a gente "tira". Ex.: Fulaninha está tirando medicina. Ou melhor, mais de época: Maria Alice tirou o normal. (Normal era magistério). Inacreditável, mas é verdade. Juro.
Help - Ai minha Nossa Senhora do Estudo que não Rende, me ajude a desempacar.

domingo, fevereiro 09, 2003

Porto Alegre - 24h - Agora, à direita, imagens de Porto Alegre 24h/dia. Coloquei um link para uma página que tem webcam.
Um gato - Um grosso manto lilás está cobrindo Porto Alegre e o cheiro de terra molhada já se faz sentir. Não demorará muito até que a chuva molhe a terra, encha o rio, lave o céu e traga o azul, como na música do Tom e Edu que eu gosto tanto. O domingo se arrasta manso e pesado, quente como um grande gato gordo que não suporta andar com o mesmo casaco de pele, inverno e verão. O domingo estica o pescoço e recebe uma brisa de chuva, pequeno e bem-vindo alívio.



Mais fotos aqui.

sábado, fevereiro 08, 2003

IMH (Indicador Musical de Humor): Un Vestido y un Amor, Fito Paez
INIBA (índice de Intolerância com a Burrice Alheia): 26,7%



O Poeta Inventa Viagem,
Retorno e Morre de Saudade

(Hilda Hilst)

Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão, Ed. Globo, 2002)

Pelados pela paz


A notícia está na BBC.

Mais de 700 mulheres, completamente nuas, fizeram um protesto hoje na Austrália.
Meu amigo Mika também noticiou um protesto de peladas no Central Park, com neve e tudo.
Não se tem notícia de que a polícia tenha dispersado o protesto a golpes de cassetete e espada.

sexta-feira, fevereiro 07, 2003

Chuva, cinema - Saí do banco hoje e não tinha vontade de ir pra casa. Não tinha ninguém me esperando, ninguém pra ligar e dizer que ia atrasar. Chovia bastante e eu sem guarda chuva. Paciência. Decidi ir para o cinema assistir O Filho da Noiva. No caminho, olhava a chuva pela janela. Parecia que não tinha mais ninguém na rua, era só eu, a chuva e carros cenográficos comandados por controle remoto com bonecos dentro.
Cheguei no Unibanco Arteplex - que eu ainda não conhecia e, no meio daquelas trezentas cadeiras vazias, sentei. Sim, só eu no cinema. Eu e as cadeiras. Sozinha. O filme está em cartaz há tempo, logo será substutuído. A sensação foi boa. Eu, o filme e o vazio ao redor. Parecia encomendado.
O filme é excelente. Hector Alterio dá um banho, Norma Aleandro e Ricardo Darín também. Daqueles filmes (os bons) em que cada personagem tem um pouco da gente.

quinta-feira, fevereiro 06, 2003




The Best of Radical Chic (com comentários da Ticia) :

"Dizem que estou ficando amarga, enjoada, ácida, sem graça.
Não é verdade. É só colocar limão, adoçante, sexo, gelo, brilhantes e mexer
gostoso que eu fico maravilhosa!
" (a minha preferida)

"Faço dieta americana, uso produtos franceses, malho com um personal
neozelandês, faço localizada com uma russa, e não adianta. Não consigo
diminuir essa bunda brasileira."
(ainda bem!)

"Terminei com o Betão. A gente se entendia superlegal, gostava das mesmas
coisas, tinha tesão um pelo outro, se tratava com carinho, detestava o cinema
iraniano... mas faltava conflito, entende?"
(Conflito é essencial, como diria Wilde,
"Nada mais insuportável que muitos dias de felicidade contínua"
)

"Certas dietas são simples. É só cortar açúcar, frituras, massas, molhos,
bebidas alcoólicas, pães, biscoitos... e os pulsos."
(Sempre que vejo alguém
ir a um restaurante de massas e pedir só uma salada, fico com vontade de
perguntar se não quer também uns milhos, pra ir se ajoelhar no canto enquanto
come
.)

"Faço meditação, aeróbica, judô, musculação. Jogo xadrez, vídeo game, King e
batalha-naval. Estudo antropologia, física quântica, matemática e
arqueologia. Escalo montanhas, faço vôo livre, salto de pára-quedas. Leio,
escrevo, toco piano, pinto e bordo. Ufa!!!!! O que a gente não faz para
compensar a falta de sexo gostoso..."
(Tá me faltando tempo. Inscrições abertas
para quem quiser me ajudar a reduzir atividades e concentrar no que interessa
)

"E aí a gente vai sair daqui, vai para um motel, aí vai transar, aí vai
querer de novo, aí eu me apaixono, aí você vai dizer que não quer
compromisso, aí eu vou achar você um babaca, aí a gente vai brigar, aí eu
vou te odiar... Tem certeza de que ainda quer saber o meu nome?"

(Melhor nem comentar, né? Vá que não apareça candidato pra me ajudar
na tarfefa do parágrafo anterior!
)

quarta-feira, fevereiro 05, 2003

1947 Berna - Suiça - Carta de Clarice Lispector a uma amiga

"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu...Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesmo - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma".
Clarice.


Fico feliz de ver que não pactuei com essa comodidade e não deixei que a patrícia de antes engolisse a de agora.




Estou em época predatória:
Enorme dragão de suntuosas tetas,
Faminta de vida, sangue, presas,
Garras fortes, cauda potente,
Devorando o mundo
e a mim mesma.
Predadora e presa,
Fome extrema,
Autofagia,
Nada me sacia,
Estou sedenta do infinito,
De um grito, de um mar,
De mil luas encobertas,
Faminta de me ser
Me sabendo em mim,
Devorando meu rabo,
Rasgando minha carne
Para descobri meu gosto,
Meu suco, meu sangue.
Cravar as garras em minha pele
E me escalar pelo avesso,
Viver meu cio,
Me cobrir, me emprenhar,
E depois parir a mim,
Ressuscitar.


(PAF, out/2001)